
Infecção por Micobactéria
é Considerada Emergência Epidemiológica
A notícia sobre a ocorrência de infecções pós cirúrgicas causadas por micobactérias tem sido amplamente divulgada através dos meios de comunicação.
Segundo nota técnica publicada pela Anvisa de 2003 até abril de 2008 foram notificados 2012 casos desta infecção causada em sua maioria pelo Mycobacterium massiliense.
O estado com o maior número de casos é o Rio de Janeiro (1014 casos) seguido pelo Pará (315) e Espirito Santo (244).
O Mycobacterium massiliense é considerada uma bactéria de crescimento rápido e divide uma seqüência idêntica ao Mycobacterium abscessus (seqüência 16S rRNA). Sua espécie só foi classificada recentemente e sua identificação só é possível através de testes moleculares.
É encontrada no meio ambiente sendo considerada oportunista. Apresenta capacidade de formação de biofilmes, que podem ser encontrados em tubulação de sistemas de distribuição de água, esgoto e outros. É aeróbica, não móvel, cora-se fracamente como bacilo gram positivo e é álcool ácido resistente. Suas colônias não são fotocromogênicas apresentando-se ora lisas e regulares ora rugosas.
Crescem em 2 a 4 dias em Agar sangue de carneiro 5%, em Agar Middlebrook 7H10 e em Agar Loweinstein Jensen a 37ºC. Seu crescimento não é observado a 42-45ºC.
A nomenclatura massiliense é derivada da palavra Massilia: o nome latino de Marseille onde o organismo foi isolado.
As informações apuradas apontam para falhas nos processos de limpeza, desinfecção e esterilização dos produtos médicos que teriam levado os pacientes a infecção. Uma linha de investigação averigua a possibilidade deste microrganismo ser resistente ao glutaraldeído a 2%.
As ações e recomendações da Anvisa relativas ao caso (alertas, informes técnicos, novas ações, etc) estão disponíveis no site www.anvisa.gov.br
O diagnóstico etiológico é realizado pela análise microbiológica de tecidos e secreções demonstrando a presença do microrganismo. A amostra deverá ser coletada por biópsia (não deverão ser coletados materiais clínicos utilizando swabs e/ou punção por agulha para aspiração de coleção líquida, devido ao baixo rendimento para esses patógenos e risco de disseminação da micobactéria). Para pesquisa e cultura de micobactérias o fragmento coletado deverá ser colocado em frasco estéril contendo solução salina 0,9% estéril. Esse frasco deverá ser mantido em temperatura ambiente, caso seja enviado imediatamente após a coleta. Em caso de envio algumas horas após ou no dia seguinte , o frasco deverá ser mantido em geladeira de 2 a 8oC, não excedendo 24 horas da coleta, e transportado em caixa térmica com gelo, devidamente identificada.
Um outro fragmento deverá ser colocado em frasco contendo formol a 10% e enviado para o laboratório de anatomia patológica.

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